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Escola e família: escolha consciente

Escola e família: a relevância e divisão efetiva dos papéis

A escola desempenha muitos papéis na vida da família, a começar pelo sentimento de segurança promovido por cuidados físicos, emocionais e psicológicos, que se configuram como condições primordiais para cada membro da família conseguir prosseguir e organizar o dia, o ano, a vida!

Assim, sem preocupações e com a sensação de amparo proporcionada pelos pais e cuidadores, é possível se voltar a tarefas profissionais e cotidianas enquanto há a experimentação da sensação de confiança depositada na escola. Dessa forma, essa instituição pode ser uma grande aliada na educação dos filhos, mas não deve ser a principal responsável pela construção da identidade e pela preparação das crianças para a vida.

Escola e família: parceria dialogal e colaborativa na educação.

A seleção da escola deve ser feita criteriosamente e estar alinhada, principalmente, aos valores e ao estilo de vida familiar, visto que fortalecer a relação entre essas duas esferas perpassa diversas questões presentes no começo da vida escolar da criança. A adaptação do aluno poderá ser difícil se a filosofia e a pedagogia da escola não acompanham os valores e a educação dos pais.

Nesse sentido, a atenção para eleger critérios que permeiam essa conexão é fundamental para harmonizar as vivências decorrentes do processo educacional. Carl Gustav Jung, já em sua época, comentava que “a escola é apenas um meio que procura apoiar e aprimorar de modo apropriado o processo de formação de consciência”.

A finalidade da educação escolar é a de conduzir o indivíduo para o mundo, completando a educação provida pelos pais.

O que importa não é o grau de saber com que a criança termina a escola, mas se a escola conseguiu ou não libertar o jovem ser humano de sua identidade com a família, tornando-o consciente de si próprio.
Carl Jung

A importância da formação de consciência na educação

Quantas maneiras distintas existem para a interpretação da chamada “formação da consciência e da personalidade”?

Consolidada a fase primordial de escolhas por afinidades, os critérios relacionados à qualidade da formação de consciência devem ser ativados e considerados como relevantes, de forma que atinjam aspectos pertinentes na programação pedagógica/educacional.

Atualmente nos deparamos com uma assustadora recorrência de estilos pedagógicos cristalizados em forma de conteúdos apostilados e insubstituíveis e isso ocorre devido às frequentes demandas de expectativas futuras desempenhadas pelo nosso sistema rigorosamente seletivo do curso superior. Essa é uma problemática presente em toda a vida dos jovens e envolve os âmbitos da escola e da família.

Ademais, esse padrão tem sido adotado como garantia de um serviço sistematizado de informações pré-estabelecidas e genéricas, tendo como finalidade englobar um espectro amplo e direcionado de informações. Esse acúmulo seria, então, acessado por outros aspectos atencionais, assim como por memorizações imediatas.

Destarte, acaba ficando, muitas vezes, a critério do aluno, uma escolha dentre diversas possibilidades de conexões tanto a nível objetivo (em que há a correlação de fatos e informações recebidas no momento a outras anteriormente adquiridas) quanto no que diz respeito à função de correlacionar todo o conteúdo com aspectos subjetivos, vivenciados reiteradamente de forma pessoal e não compartilhada.

Novas metodologias em consonância com a (neuro)ciência por trás do aprendizado

As escolas que optam por estilos pedagógicos fluidos consideram as expressões subjetivas e de criatividade, sejam imagéticas e/ou textuais, como recursos indispensáveis para a chamada formação de consciência.

Enquanto educadora, creio que essa integração de possibilidades pedagógicas/educacionais certamente colabora para a formação de um aluno mais preparado para enfrentar os desafios futuros.

Isso, tendo em vista que, a nível de desenvolvimento neuropsicomotor, terão sido ativadas áreas cerebrais mais amplas e com conexões sinápticas desenvolvidas como o neo-córtex (lobo frontal) e o sistema límbico (além das já citadas atenção e memorização).

Dessa forma, a neurociência contemporânea nos auxilia a identificar o contexto intra-funcional da aprendizagem e traz como benefício a oportunidade de os alunos desenvolverem nos educadores e nos diretores educacionais uma consciência educacional ampliada. A partir disso, é proporcionado, acima de tudo, algo que contemple as possibilidades oferecidas pelos programas educacionais interativos, lúdicos, criativos e interdisciplinares. 

Assim, a ativação da criatividade e das criações subjetivas constitui alicerces essenciais para a formação de um profissional adulto que transite por diversificadas esferas. A partir disso, tudo vira um ciclo em que esses profissionais se tornam pais mais humanizados e portadores de recursos expandidos de autoconhecimento. Nesse sentido, esses novos pais conseguem dar continuidade a uma rede positiva e sustentável de escolhas futuras conscientes para nossos descendentes. 

Destarte, ao que tudo indica, estamos cada vez mais necessitados de criar, estimular, propiciar e desenvolver em nós mesmos, educadores, a chamada inteligência conectiva, assim como de promovê-la a nossos alunos.

Definida como uma habilidade fundamental para associar as informações recebidas por meio dos múltiplos estímulos da mídia, assim como anseios familiares e sociais às demandas subjetivas, a inteligência conectiva contribui para que, conjuntamente, esses diversos âmbitos que cercam o cotidiano do aluno dentro do vínculo escola e família, componham e favoreçam positivamente a formação de sua consciência e personalidade.

 

Cristiane Lopes Kaulich – Especialista em neurociência da aprendizagem

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